
Com
o tempo, foi comprando propriedades do entorno. Tentou cultivar coco, mas
precisava de muito agrotóxico, por isso não quis. Um amigo sugeriu: por que
você não planta pupunha? A pupunha é um tipo de palmeira da região Norte do
Brasil, de onde se extrai o palmito. A
dica foi ótima, pois a plantação deu muito certo. A fazenda começou a se
desenvolver e o negócio do palmito cresceu lá pelo ano de 1995. Ele então
chamou mais gente para trabalhar e deu prioridade para mulheres, pois sempre
acreditou em sua capacidade. O serviço de poda das moitas de palmito requeria
delicadeza no trato com a foice e ele queria também ajudar as mulheres e suas
famílias. A esposa, Mônica, fez questão de assinar a carteira das
trabalhadoras, coisa rara nas lavouras da região, pois a maioria contratava
temporariamente conforme a necessidade. Trabalhavam meio expediente e no resto
do tempo podiam cuidar de suas famílias. As primeiras mulheres contratadas
foram Elciléia, Maria e Almerita.
Mas
Cecília queria mesmo fazer algo novo nas terras da família. Então combinou com
o pessoal da Fibra Design que iria desenvolver um produto para revestimento de
interiores similar a outro que tinham, só que em vez de usar bananeira, como o
original, usaria a pupunheira. Nesse meio tempo, Cecília uniu-se a Mônica
Castedo, fonoaudióloga e artesã com experiência em papel artesanal, que
se tornou sua sócia. Pesquisaram muito e chegaram a uma chapa de fibra de
pupunha, com acabamento impermeável e segura para o meio ambiente: o VegPlac.
Fundaram a empresa Kaapora Design. As mulheres, que antes trabalhavam na
lavoura, foram convidadas a atuar no desenvolvimento deste novo negócio,
sobretudo as mais idosas, já cansadas do sol forte na lida com a terra.
“Temos
a oportunidade de dar continuidade ao nosso trabalho,
de
estar perto de nossas casas e trabalhar com nossas famílias.”
Elciléia
Na
época, todos os produtos do Mulheres da Reserva Botânica tinham tons naturais,
das cores das fibras utilizadas. O local de confecção do VegPlac se caracteriza
pela produção de água, logo o uso de corantes químicos não é recomendado. Os
naturais (açafrão da terra, gengibre, urucum...) não fixavam bem, ficando
rapidamente desbotados. Foi aí que a Rede Asta fez toda a diferença na vida
destas mulheres artesãs. Um dia, pediram alguns tecidos doados por confecções à
Rede Asta, para criar um processo que desse cores às luminárias. Cecília afirma que os produtos
ganharam nova vida e se tornaram objeto de desejo de muita gente. A translucidez
das fibras, aliada à cor das estampas sob o efeito da luz, cria objetos vivos.
Cada luminária ganhou uma personalidade e uma poesia próprias. Passaram a fazer
enorme sucesso em feiras, eventos e também nos canais de venda da Rede Asta.
Segundo as “Mulheres”, o ganho estético com a chegada da Rede Asta foi
primordial a partir da aplicação da cor dos tecidos nos produtos.
O
grupo Mulheres da Reserva Botânica cresceu, ganhou em produtividade e mercado.
Buscaram adequação da instalação elétrica junto ao INMETRO, melhoraram as
caixas de transporte dos produtos, aprimoraram os insumos e ganharam em
profissionalismo.
Hoje
a produção é de até 60 chapas de VegPlac por dia com uma face em cor. A
produção é toda artesanal durando até quatro dias para se obter a chapa.
Primeiro criam a massa com os resíduos da pupunha, depois secam, esticam na
prensa e em seguida dão o acabamento impermeável, juntamente com a estampa ou
fibras aplicadas. Todo o processo é de baixo impacto ambiental.