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quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Mostra reúne móveis de grandes designers brasileiros

Pedaços descartados de tecidos, tapetes, forrações e EVA coloridos compõem o Banco Vitória Régia, criação dos designers Fernando e Humberto Campana, que você pode conferir na exposição Pensamento Circular no Museu de Belas Artes de São Paulo, até 30 de agosto.

Banco Vitória Régia, Fernando e Humberto Campana
A mostra traz móveis inspirados na forma circular e reúne obras de grandes profissionais brasileiros desde 1920. Os materiais são vários, incluindo insumos reaproveitados, como papelão reciclado e tecidos. A circunferência faz a costura de todas as peças, que traz trabalhos de designers nacionais famosos como Flávio de Carvalho, Sergio Rodrigues e Pedro Useche.

Luminária Anel, Carol Gay, mangueira de PVC, acrílico e LED
São cerca de 35 luminárias e móveis entre mesas, poltronas e bancos. Tudo muito inspirador. E sabe o que é melhor? O programa é gratuito!

Tamborete Zoé, design Domingos Tótora, de papelão reciclado.
Exposição "Pensamento Circular"
- 8 a 30 de agosto de 2014, segunda a sexta, das 10h às 20h; sábado, das 10h às 16h
Museu Belas Artes de São Paulo (MUBA), na Unidade 1 Rua Dr. Álvaro Alvim, 76 - Vila Mariana

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Conheça as Mulheres da Reserva Botânica

Gilberto era um homem que gostava muito de plantas, tanto que colecionava palmeiras em sua casa em Santa Teresa, no Rio de Janeiro. Mas as palmeiras ocupavam muito espaço e ele precisava achar um paraíso para elas. Buscou e encontrou uma terra fértil na região do Norte Fluminense, onde viu a maior moita de Geonoma schotiana (uma palmeira de Mata Atlântica), de sua vida. Era sua palmeira preferida! Gilberto levou quase 4 anos pra conseguir comprar aquela parte da terra e batizou seu pedacinho de paraíso de Reserva Botânica das Águas Claras.

Com o tempo, foi comprando propriedades do entorno. Tentou cultivar coco, mas precisava de muito agrotóxico, por isso não quis. Um amigo sugeriu: por que você não planta pupunha? A pupunha é um tipo de palmeira da região Norte do Brasil, de onde se extrai o palmito.  A dica foi ótima, pois a plantação deu muito certo. A fazenda começou a se desenvolver e o negócio do palmito cresceu lá pelo ano de 1995. Ele então chamou mais gente para trabalhar e deu prioridade para mulheres, pois sempre acreditou em sua capacidade. O serviço de poda das moitas de palmito requeria delicadeza no trato com a foice e ele queria também ajudar as mulheres e suas famílias. A esposa, Mônica, fez questão de assinar a carteira das trabalhadoras, coisa rara nas lavouras da região, pois a maioria contratava temporariamente conforme a necessidade. Trabalhavam meio expediente e no resto do tempo podiam cuidar de suas famílias. As primeiras mulheres contratadas foram Elciléia, Maria e Almerita.

Um dia, Gilberto veio a falecer e a fazenda ficou um pouco abandonada, sendo necessário demitir algumas trabalhadoras. Mas sua filha, Cecília Freitas, bióloga, resolveu assumir o negócio para não ver o sonho do pai acabar assim tão de repente. Ela contratou novamente as três mulheres e mais suas filhas para a roça. O cultivo do palmito voltou com força total, mas para Cecília faltava algo. Visitando eventos, ela conheceu o pessoal super criativo da Matéria Brasil, antes chamada Fibra Design Sustentável, que havia inventado um compensado feito da pupunha. Pelo projeto, foram até premiados. Mas as palmeiras de Cecília não serviam para o compensado, pois, para retirar a madeira, era preciso deixar a pupunha crescer aproximadamente dez anos. Para o palmito corta-se a palmeira com no máximo três anos.
Mas Cecília queria mesmo fazer algo novo nas terras da família. Então combinou com o pessoal da Fibra Design que iria desenvolver um produto para revestimento de interiores similar a outro que tinham, só que em vez de usar bananeira, como o original, usaria a pupunheira. Nesse meio tempo, Cecília uniu-se a Mônica Castedo, fonoaudióloga e artesã com experiência em papel artesanal, que se tornou sua sócia. Pesquisaram muito e chegaram a uma chapa de fibra de pupunha, com acabamento impermeável e segura para o meio ambiente: o VegPlac. Fundaram a empresa Kaapora Design. As mulheres, que antes trabalhavam na lavoura, foram convidadas a atuar no desenvolvimento deste novo negócio, sobretudo as mais idosas, já cansadas do sol forte na lida com a terra.

O material como revestimento não passou no controle de qualidade das duas e nunca foi para o mercado. Foi então que, em 2012, depois de três anos de pesquisa e com os recursos para investimentos chegando ao fim, decidiram que tinha chegado a hora de ganhar algum dinheiro. Organizaram uma oficina criativa junto com suas funcionárias e criaram os primeiros produtos de decoração feitos com VegPlac. Surgiram então as primeiras luminárias e móbiles artesanais. Nesse movimento, perceberam que ali havia um grupo forte, que poderia crescer e gerar renda extra para essas famílias. Foi assim que surgiu o “Mulheres da Reserva Botânica”: com as funcionárias da Kaapora Design e suas filhas e netas se juntando ao grupo. Organizaram o primeiro Bazar da Chácara, em Santa Teresa e foi um sucesso! Mônica, que já conhecia a Rede Asta de outro projeto, apresentou alguns produtos. E foi assim que passaram a fazer parte da Rede com uma luminária que produziam.

“Temos a oportunidade de dar continuidade ao nosso trabalho,
de estar perto de nossas casas e trabalhar com nossas famílias.”
Elciléia

Na época, todos os produtos do Mulheres da Reserva Botânica tinham tons naturais, das cores das fibras utilizadas. O local de confecção do VegPlac se caracteriza pela produção de água, logo o uso de corantes químicos não é recomendado. Os naturais (açafrão da terra, gengibre, urucum...) não fixavam bem, ficando rapidamente desbotados. Foi aí que a Rede Asta fez toda a diferença na vida destas mulheres artesãs. Um dia, pediram alguns tecidos doados por confecções à Rede Asta, para criar um processo que desse cores às luminárias. Cecília afirma que os produtos ganharam nova vida e se tornaram objeto de desejo de muita gente. A translucidez das fibras, aliada à cor das estampas sob o efeito da luz, cria objetos vivos. Cada luminária ganhou uma personalidade e uma poesia próprias. Passaram a fazer enorme sucesso em feiras, eventos e também nos canais de venda da Rede Asta. Segundo as “Mulheres”, o ganho estético com a chegada da Rede Asta foi primordial a partir da aplicação da cor dos tecidos nos produtos.

O grupo Mulheres da Reserva Botânica cresceu, ganhou em produtividade e mercado. Buscaram adequação da instalação elétrica junto ao INMETRO, melhoraram as caixas de transporte dos produtos, aprimoraram os insumos e ganharam em profissionalismo.

Hoje a produção é de até 60 chapas de VegPlac por dia com uma face em cor. A produção é toda artesanal durando até quatro dias para se obter a chapa. Primeiro criam a massa com os resíduos da pupunha, depois secam, esticam na prensa e em seguida dão o acabamento impermeável, juntamente com a estampa ou fibras aplicadas. Todo o processo é de baixo impacto ambiental.

Em julho de 2013 foi feita uma oficina de tecelagem para as adolescentes, visando dar a elas uma capacitação que evitasse a evasão de mão de obra, fato que vem acontecendo na região. O sucesso foi tanto que as meninas se uniram ao projeto social e montaram uma linha de tecelagem usando linha, lã e tecido rasgado, criando echarpes e almofadas que vieram a se somar às luminárias na linha de produtos das Mulheres da Reserva Botânica.


quinta-feira, 5 de junho de 2014

Reciclar idéias, materiais e produtos

Upcycling é a junção de “up” com reciclagem, ou seja, significa transformar materiais que iriam para o lixo em produtos de maior valor agregado, dando-lhes um novo status. Porém, ao contrário da reciclagem pura e simples, aqui a matéria-prima não precisa “morrer” para renascer. O upcycling permite criar soluções sem que o objeto mude seu estado químico no processo. Seria reutilizar de forma criativa.

No Dia do Meio Ambiente, nada melhor do que falar disso e lembrar o quanto desperdiçamos tanta coisa que poderia ser reaproveitada, deixando de poluir nosso planeta.

Foto: Superinteressante
Podemos começar nosso papo distinguindo os termos reutilizar de reciclar. Reutilizar é usar novamente algo dando nova função ou roupagem. É a chance de aproveitar todas as possibilidades de uso. Assim, aquele disco de vinil antigo pode se tornar um lindo revisteiro, ou xícaras de porcelana podem se transformar em castiçais para velas coloridas. Basta um olhar mais apurado e criativo e um pouco de habilidade para reutilizar muitas embalagens e objetos que todos temos em casa. O reuso permite reduzir a demanda de consumo que alimenta as cadeias produtivas e com isso diminui-se a poluição do meio ambiente.

Já reciclar envolve um novo ciclo de produção (re-ciclar). A reciclagem é uma atividade produtiva que gera renda, emprego, economia de energia e reaproveitamento de matérias-primas. Ou seja, é uma atividade sustentável, já que evita extrair recursos primários da natureza.

Para que a reciclagem aconteça, o primeiro passo é separar o lixo adequadamente. Infelizmente, pesquisa do IPEA mostrou que somente 8% dos municípios brasileiros têm estrutura para reciclagem.

Foto: Superinteressante
Diante do cenário em que vivemos, de esgotamento de recursos naturais e altos índices de poluição das cidades, a mudança de atitudes é fundamental para garantir um futuro melhor para as próximas gerações. O consumo responsável é um primeiro passo. Por que compramos? Pra quê? Será que realmente precisamos de tanto? A escolha de produtos mais duráveis ou reutilizáveis reduz o desperdício e a quantidade de resíduos gerados na produção. Preferir produtos à granel, em vez de itens embalados em isopor ou plástico pode ser um caminho. Evitar trocar de celular e outros eletrônicos. Recusar sacolas plásticas. Tudo contribui em pequenas atitudes para melhorar nossa qualidade de vida no planeta.

Foto: Superinteressante

Aqui na Rede Asta nossos grupos produtivosde artesãs criam produtos a partir do reaproveitamento de diversos materiais. Trabalhamos com tecidos doados por confecções que se transformam em toalhas, capasde travesseiro, almofadas, bolsas e muitos outros produtos.


As garrafas PET, que levariam mais de 200 anos para se decomporem na natureza, na Rede Asta são transformadas em petisqueiras, colares, bolsas e muitos outros itens.





O grupo Mulheres da Reserva Botânica produz lindas luminárias a partir de resíduos agrícolas que sobram da produção de palmito a partir da pupunha. O material, chamado Vegplac, é um produto inovador e sustentável, que permite criar produtos de grande qualidade e valor de mercado, e ainda contribui para o meio ambiente.


Outro insumo que permitiu a criação de produtos é o banner e o malote bancário. Ambos estão na cadeia produtiva da Rede Asta na confecção de bolsas.


E o jornal? Não esquecemos dele. Pense na quantidade de papel que é jogada fora diariamente. Os jornais podem ser trabalhados e virar porta-retratos e bijuterias.


O serviço Asta para Empresas através do projeto Upcycling utiliza resíduos que as próprias companhias geram, para criar produtos via grupos produtores de artesãos. Esses grupos podem já fazer parte da Rede Asta ou são identificados no entorno da empresa. Os produtos criados dão novo valor ao que iria parar no lixo e se tornam brindes corporativos que têm a marca da sustentabilidade.

Quando se coloca a natureza e o planeta em primeiro lugar, tudo se aproveita. Basta criatividade, vontade e conhecimento. E você, o que tem feito pra contribuir com o meio ambiente?